Crise nos aeroportos expõe riscos nas viagens corporativas e reforça papel da LGPD

12/01/2026

A onda de atrasos e cancelamentos registrada nos principais aeroportos brasileiros na última semana, com mais de 400 voos impactados em São Paulo após ventos de até 80 km/h e remanejamentos em cadeia na malha aérea, reacendeu a preocupação das empresas com a segurança e a previsibilidade das viagens corporativas. O episódio evidenciou fragilidades em operações que dependem de deslocamentos frequentes e mostrou que, diante de cenários extremos, o gerenciamento de risco deixa de ser diferencial e passa a ser exigência básica de governança.

Especialistas em gestão de viagens corporativas observam que a imprevisibilidade climática e operacional tende a crescer. Cancelamentos, reacomodações lentas, jornadas ampliadas e perda de conexões podem comprometer agendas estratégicas e gerar impacto direto na integridade física e emocional do colaborador em trânsito, especialmente quando há falhas na cadeia de comunicação entre fornecedores, empresa e viajante.

Para Dalva Camargo, Diretora de Operações da Voetur Viagens, o episódio reforça a necessidade de estruturas organizadas de resposta. “As empresas precisam assumir que crises aeroportuárias não são exceção; elas fazem parte do cenário operacional. Quando isso ocorre, somente políticas claras de viagem, ferramentas de monitoramento e protocolos de ação imediata garantem a continuidade das operações e a segurança do viajante”, afirma.

Além dos riscos logísticos, a crise recente expôs outro ponto sensível: o tratamento de dados pessoais durante situações de remarcação ou atendimento emergencial. Documentos, contatos, itinerários e informações corporativas circulam entre múltiplos agentes, o que aumenta o risco de uso indevido ou falhas de segurança. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) determina que empresas mantenham controle e rastreabilidade sobre o tratamento dessas informações, mesmo quando terceiros participam da operação.

Para Renato Salles, DPO do Grupo Voetur, a adequação à LGPD deve estar integrada à rotina de viagens de negócios. “A proteção de dados do viajante precisa ser tratada como prioridade estratégica. Em momentos de crise, a circulação de informações pessoais tende a aumentar, e é justamente nessas situações que os controles de segurança e governança mostram sua importância”, explica.

Segundo ele, a conformidade não se limita a políticas internas. “É essencial que toda a cadeia envolvida, companhias aéreas, hotéis, TMCs e fornecedores internacionais, opere com padrões compatíveis de privacidade e compliance. A empresa continua responsável pelos dados do colaborador durante todo o ciclo da viagem”, reforça.

Fonte: R7.
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