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Celulose poderá se tornar um dos principais produtos exportados pelo RS até 2030
05/11/2026
A celulose e as pastas derivadas dela formam, atualmente, o oitavo grupo de produtos mais exportados pelo Rio Grande do Sul, com cerca de US$ 1 bilhão comercializado com o exterior a cada ano. Em 2025, foram US$ 907.686.555 vendidos a outros países a partir do Estado. E uma nova fábrica da CMPC, prevista para ser instalada em Barra do Ribeiro, poderá transformar o produto no quarto item mais vendido para outros países pelos gaúchos.
“Quando a fábrica estiver em plena produção, deverá dobrar as exportações atuais. Então, daria para dizer que se tornaria o quarto setor entre as exportações gaúchas. Hoje, o principal produto exportado é a soja, com US$ 3,5 bilhões. Depois, o tabaco, com US$ 3 bilhões. Em terceiro lugar, tem as carnes, que somam US$ 2,4 bilhões. O quarto, hoje, são os resíduos alimentares, que representam US$ 1,4 bilhão. No momento em que as exportações de celulose dobrarem, chegando em torno de US$ 2 bilhões, assumiriam essa posição”, projeta o gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Luciano D’Andrea.
A mesma perspectiva é compartilhada pelo pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (DEE-RS) Sérgio Leusin Júnior. “Dá para dizer que o aumento deverá ser na proporção 1:1. A produção da CMPC, hoje, está em torno de 2 milhões de toneladas por ano. E a exportação está nesse mesmo nível. É possível afirmar que 90% da celulose produzida é exportada. Tranquilamente, deverá duplicar o volume produzido e exportado, com a nova fábrica . Então, pode ser em torno de US$ 1 bilhão a mais em exportações de celulose quando a fábrica estiver em plena produção”, explica o especialista.
O principal mercado internacional da celulose gaúcha é a China, responsável por cerca de 30% das transações. “Desde 2015 o país vem com uma participação bastante consistente”, avalia o pesquisador. Na Ásia, a Coreia do Sul também representa um importante mercado consumidor. Outros destinos relevantes são os Estados Unidos, a União Europeia e os Emirados Árabes Unidos.
Atualmente, a CMPC produz cerca de 2,4 milhões de toneladas de celulose por ano em Guaíba. A isso se somam outras 2,5 milhões de toneladas de capacidade produtiva previstas para a planta de Barra do Ribeiro, que recebeu licença ambiental prévia em 23 de outubro. O Projeto Natureza, do qual a fábrica faz parte, representa o maior investimento já anunciado por uma empresa privada no Rio Grande do Sul, com aporte de R$ 27 bilhões. A expectativa é de que a indústria inicie as operações até 2030.
Produção e embarques aumentaram nas últimas décadas
No início dos anos 2000, três projetos de novas fábricas de celulose eram cogitados para o Rio Grande do Sul, mas nenhum deles avançou naquele momento. Entre as iniciativas estava a ampliação da presença da Aracruz Celulose no Estado, com o plano de construir uma segunda unidade industrial em Guaíba.
A trajetória da empresa no Rio Grande do Sul havia começado antes. A unidade de Guaíba foi inaugurada em 1972 e passou por diferentes controladores ao longo das décadas seguintes. Em 2003, a Aracruz Celulose adquiriu a Klabin Riocell, então responsável pela fábrica, e assumiu o controle da operação.
A companhia planejava ampliar a capacidade industrial, mas não chegou a executar plenamente o projeto. Às 400 mil toneladas produzidas por ano, em 2009, foi possível adicionar à produção apenas 50 mil toneladas/ano. No mesmo ano, a Aracruz negociou a venda da unidade de Guaíba para a multinacional chilena CMPC.
A aquisição permitiu à CMPC dar continuidade ao projeto de expansão da unidade gaúcha. Anunciada em 2010, a nova linha de produção representou um investimentode aproximadamente R$ 5 bilhões, à época o maior já realizado por uma empresa privada no Estado.
As obras começaram em 2013, e a unidade ampliada entrou em operação em 2015. Com isso, a capacidade produtiva passou de 450 mil para cerca de 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano, um aumento de quase quatro vezes.
O avanço da produção se reflete nos embarques, especialmente porque o crescimento do valor comercializado não decorreu apenas de oscilações nos preços internacionais. Na série histórica das vendas de celulose para o exterior a partir do Rio Grande do Sul, tanto o volume quanto o valor exportados apresentam uma trajetória de crescimento desde 2009, embora com algumas oscilações, e um salto mais acentuado a partir de 2015.
“A celulose passou de 1,4% da pauta de exportação do Estado para em torno de 4%, representando 4,2% em 2025. É um crescimento bem significativo. E se deu, principalmente, depois da ampliação em 2015, quando registra um grande salto de participação. Os preços do principal tipo de celulose exportada no Estado se mantiveram praticamente estáveis, apesar de alguns momentos de oscilação. Então, o crescimento é em função do aumento da produção, mesmo”, explica Leusin Júnior.
Entre os produtos da indústria de transformação gaúcha, a celulose tem participação ainda maior, de 5,4% da pauta exportadora do segmento industrial, destaca D’Andrea. “Observamos que é um mercado que vem se desenvolvendo desde os anos 1990, com crescimentos significativos em 2009 e em 2015. É uma área estratégica para o Estado, especialmente nas exportações”, acrescenta o dirigente da Fiergs.
Planta da CMPC movimentará outros setores na região
Além das exportações, a nova planta da CMPC deverá movimentar a economia em outras frentes, como a silvicultura.
Conforme Leusin Júnior, há entre 18 mil e 20 mil hectares de florestas de eucalipto plantadas para atender à futura indústria. A disponibilidade de matéria-prima também permite planejar o abastecimento da fábrica e reduzir os impactos das oscilações nos ciclos de produção florestal.
“Dá para fazer um manejo. Consegue ter uma oferta consistente e a empresa não precisa ficar dependendo dessa oferta de madeira. Essa fábrica nova já tem madeira para atender a ela quando entrar em operação. Isso já está no planejamento da indústria”, explica o pesquisador.
O representante da Fiergs, por sua vez, destaca a geração de empregos prevista pelo Projeto Natureza: 12 mil postos de trabalho durante as obras da nova fábrica e entre 5 mil e 6 mil empregos diretos e indiretos associados à operação.
Ele também aponta a movimentação do Porto do Rio Grande, que deverá receber um terminal de celulose, e os investimentos em infraestrutura que serão realizados pela multinacional chilena como contrapartida exigida pelo governo estadual.
“É um setor que impulsiona a economia regional e os fornecedores. Também temos um projeto que queremos desenvolver futuramente com a CMPC, que é o Conexão Indústria, para tentarmos aproximar cada vez mais a indústria gaúcha no fornecimento de produtos industriais locais para esse grande projeto. E o Senai tem um importante papel na capacitação e formação de mão de obra para atuar nesses projetos”, acrescenta D’Andrea.
Fonte: Jornal do Comércio.
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